Sandy diz que enfrentou ‘pressãozinha disfarçada’ para largar MPB e botar ‘body da Beyoncé’: ‘Poderia fazer mais sucesso’

Já imaginou Sandy de maiô cantando com um rapper em um clipe com pelo menos 20 vezes mais cliques do que o de seu single mais recente? Alguém já.

“É uma pressãozinha disfarçada”, diz ela. “As pessoas falam ‘você tinha que usar aqueles bodies da Beyoncé!’. Eu falava: ‘Tá, pode ser que pudesse fazer mais sucesso se eu fizesse isso”.

“Areia”, faixa mansa gravada com o marido e produtor Lucas Lima, conta pouco mais de 3 milhões de views e faz parte do projeto “Nós Voz Eles”. Com ele, a cantora de 35 anos vem lançando vídeos e músicas sempre com convidados como Maria Gadú e Iza.

Em entrevista em um escritório em São Paulo, Sandy também fala da nova MPB mais pop da qual ela se considera parte e explica o porquê de gravar sentada no estúdio mesmo que o conselho mais comum seja para cantar de pé.

Sandy e seu marido Lucas Lima durante gravações de 'Nós Voz Eles', projeto da cantora — Foto: Divulgação

Sandy e seu marido Lucas Lima durante gravações de ‘Nós Voz Eles’, projeto da cantora — Foto: Divulgação

Como você vê (estando meio dentro dela, mas nem tanto) uma nova cena com uma MPB mais pop, jovem, com Melim, Tiago Iorc, Lagum, AnaVitória nas paradas?

Sandy – Cara, eu não sei. A gente sabe que o que está mais bombando continua sendo sertanejo, funk… Eu acho que a galera deu uma saturada do popzão… Eu fiz parte com “Vamo Pulá” e essas coisas na época de Sandy & Jr… Tem uma galera que fica saturada e quer ir contra a corrente. Aí começou a crescer esse cenário que estava sem espaço, né?

Mas você já teve proposta para ser mais pop? Para ser mais assim ou mais assado?

Sandy – Não proposta, não uma coisa séria. Mas gente me falando, me dando conselho. “Você tinha que fazer isso, aquilo”. Não que a gravadora me puxou, me fez sentar e ouvir: “olha, quero que você faça isso”. Não, não sou pressionada há muito tempo.

É uma pressãozinha disfarçada. As pessoas falam ‘nossa, mas você tem tanto potencial, você tinha que dançar. Tinha que usar aqueles bodies da Beyoncé! Tinha que gravar música assim, música assado’. Eu falava: ‘Tá, pode ser que pudesse fazer mais sucesso se eu fizesse isso, pode ser’.

Fazer featuring com um rapper.

Sandy – Isso! Mas não eu não sou isso e gosto do que estou fazendo. Eu preciso ser verdadeira comigo mesmo e dei sorte que esse caminho começou a despontar mais. Então, eu estou super realizada e colhendo frutos bacanas do que eu venho plantando há bastante tempo. Esse é o meu caminho.

Sandy posa para fotos após entrevista em São Paulo — Foto: Marcelo Brandt/G1

Sandy posa para fotos após entrevista em São Paulo — Foto: Marcelo Brandt/G1

Este projeto novo é só com parcerias e o G1 publicou uma reportagem que mostra que nunca teve tanto featuring no Brasil. Para você, por que isso acontece?

Sandy – A gente está produzindo muito, divulga os trabalhos nas redes sociais e plataformas digitais, todo mundo tem acesso a tudo e a música está super democrática. As pessoas consomem muito e precisam inovar. Para explorar isso, a gente pensa: ‘O que poderia fazer sozinha?’. Daí pensei ‘deixa eu trazer alguma novidade, alguém de outro estilo’.

Claro que o meu critério foi o talento, gente que admiro. É uma troca, você tem que gostar daquela pessoa. Entra dentro do meu estúdio, que é dentro da minha casa. Talvez seja isso que esteja passando na cabeça das pessoas, no inconsciente coletivo, no consciente coletivo…

Você parece estar muito à vontade. Com a Maria Gadú, tem aquele papo que fiquei curioso… Que é de cantar sentada. Por que você você canta sentada?

Primeiro que eu já me senti mais validada quando soube através da Iza que a Beyoncé também canta sentada, grava sentada. [risos] Então, se a Beyoncé, que é aquela diva maravilhosa, canta daquele jeito, e grava sentada… Eu também posso”.

E provavelmente em um trono.

Sandy – E provavelmente em um trono de veludo, com sei lá o quê. Eu já imaginei ela no trono de “Game of Thrones” cantando, maravilhosa. Primeiro, eu não quero que nada me atrapalhe. Não quero dor no pé, dor nas costas, ficar cansada…

Não quer ficar com os pés cansados…

Sandy – Não quero ficar com os pés cansados. [Risos] Não quero que nada atrapalhe meu foco, que está aqui na voz. Eu, ao longo dos anos, adquiri uma tecnicazinha que eu consigo não pressionar o meu diafragma. Porque essa é a ideia de cantar em pé: não pressionar o diafragma, deixar livre aqui [segura a barriga], porque é uma parte importante no mecanismo de cantar, de emitir o som. Mas não sinto que fique com as notas mais espremidas.

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Quando vi esse papo já teve gente fazendo montagens de que você está deitada em vários clipes…

Sandy – Pois é, eu nunca tinha pensado nisso. Eu adorei essa montagem, achei o máximo. Foi coincidência total. Um deles nem é meu… Não foi ideia minha, “Ai de mim”, da OutroEu. O roteiro não fui eu que fiz e eles me botaram deitada. Eu fui lá e deitei! [Risos] Nah… Foi coincidência mesmo, mas adorei a montagem.

Esse caso mostra como tudo com você repercute. Por mais que você tente não expor, por exemplo, o Theo [filho de Sandy]. Daí aparece uma boneca de ‘Frozen’ e todo mundo comenta… Como é lidar com isso?

Sandy – Tudo vira notícia. Isso é bem chato, sabe? Eu me dei conta quando entrei no Twitter, em 2009… Estava lá interagindo, naquele momento empolgada com a novidade. Eu colocava qualquer coisa do meu dia. Então, sei lá: “Meu braço está cansado, malhei demais” ou “O que a gente faz com uma obra que começa às 7h da manhã que parece estar batucando na nossa cabeça?”. Qualquer reclamaçãozinha cotidiana besta, só para divertir a galera.

“Eu comecei a ver que coisas que não tinham a menor importância saíam na imprensa. E eu falava: ‘Oi? Por que isso é interessante? Isso acontece na vida de todas as pessoas’. Comecei a tomar consciência disso e isso me freou um pouco… Hoje, participo nas redes sociais, mas sem dar tanto detalhe”.

Às vezes gosto de me posicionar, para apoiar alguma causa. Mas quando é algo que não estou sabendo tudo, não me sinto segura para falar, porque vai virar manchete. Eu aprendi que não tenho controle sobre tudo, só posso ser eu. Só posso ser responsável pelas coisas que eu faço e falo, e não pela maneira como as pessoas entendem, pelo auê que fazem em cima disso.

Tento viver da maneira mais natural, sem pensar muito. Se eu lembro disso o tempo inteiro, dou uma surtada. Isso tudo que falei e terapia semanal. Pronto, tá resolvido. [risos]

*G1

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