David Guetta conta como morte de Avicii e paixão por ‘Bum bum tam tam’ inspiraram novo disco

David Guetta — Foto: Ellen Von Unwerth/Divulgação

David Guetta — Foto: Ellen Von Unwerth/Divulgação

David Guetta quer simplificar as coisas. O DJ superstar diz que não quer pensar só em fazer hits, mas em ter uma vida comum e se divertir. É assim que ele fala do seu sétimo disco, com nome simples: “7”.

É um álbum duplo. Ou, na era do streaming, uma playlist com 27 músicas. A primeira metade tem parcerias pop com Justin Bieber, Sia, J Balvin e outros. A segunda tem faixas de house music menos comercial. Ele usa o pseudônimo Jack Back, em suposta volta às raízes.

Em conversa, o francês de 50 anos fala de duas inspirações para esta fase mais “livre e simples”. Uma, já comentada antes, é a morte do amigo Avicii, que ele associa à pressão por trabalho e sucesso.

O segundo fator é brasileiro: David Guetta fala de sua paixão por “Bum bum tam tam”, o funk brasileiro campeão no YouTube remixado por ele. O DJ liga a crueza e o minimalismo de DJ Fioti com o que ele buscava em “7”. O que vale na música é “ter uma ideia original”.

Capa do álbum '7' de David Guetta — Foto: Divulgação

Capa do álbum ‘7’ de David Guetta — Foto: Divulgação

‘Say my name’, com a Bebe Rexha e o J Balvin, tem uma batida latina forte. O J Balvin participou da produção?

David Guetta – Sei que ele também produz, mas nessa só cantou mesmo. A música é uma mistura de influências diferentes minhas. Queria fazer uma música minimalista. O refrão é forte, então não quis usar muitos instrumentos. Esse é o charme. Acho que pode ser um hit. As melhores são as que soam grandiosas sem usar muita coisa. É só uma marimba e uma batida simples. Isso é difícil.

Achei que alguém da América do Sul tivesse produzido junto, porque parece até pop brasileiro.

David Guetta – [Risos] Deve ser porque adoro o Brasil e estou aí todo ano, então posso pegar a influência.

O que você achou legal da música daqui ultimamente? Tem algo que te influenciou no disco?

David Guetta – Fiz um remix de “Bum bum tam tam”. Quando conheci essa música pensei: “Meu Deus, é tão louca”. Eles pediram um remix e eu aceitei na hora porque amo essa música de verdade. Sempre toco. Gosto de música latina em geral, mas especialmente brasileira.

‘O funk brasileiro tem uma crueza que eu curto muito. É o que eu gostava no hip hop do início, e que talvez tenha se perdido’.

Não sei se você sabe que a música foi toda gravada e produzida pelo Fioti usando só o microfone do celular dele e um notebook velho.

David Guetta – Não sabia, mas não fico surpreso, ela é muito crua. Isso é incrível na música. Porque o importante é a ideia. Quando você aprende a produzir, acha que é tudo técnica. Mas o que vale é ter uma ideia original. Muitas vezes, menos é mais. É o que eu estava falando sobre “Say my name”, de não usar muitos instrumentos. É a mesma coisa com “Bum bum tam tam”: não tem excesso ali, é só muito cool, muito quente.

Mas para um artista novo, tudo bem. Para você, um DJ tão conhecido, foi difícil manter as coisas simples?

‘Sim, isso foi o mais difícil do disco. No início, as pessoas ficavam me provocando: ‘Ah, sua música é tão simples’. Mas isso não é fácil, porque se você tem poucos elementos, tudo tem que estar perfeito’.

Por outro lado, como não se repetir? Você tem duas músicas novas com a Sia, por exemplo (‘Flames’ e ‘Light headed’), depois de ter um megahit com ela (‘Titanium’). Você se importa em fazer diferente ou não?

David Guetta – É sempre uma preocupação. Eu queria muito voltar a como eu era no início da carreira. Porque quando você fica muito pop, começa a ter medo de uma queda. É uma energia negativa, ruim para a criatividade. Sinto que dei um novo passo na minha vida e perdi esse medo. Só quero lançar um monte de músicas. Algumas podem ser hits, outras nem tanto, mas tudo bem. O importante é que eu me diverti com esse disco e me senti livre.

O quanto a morte do Avicii te impactou?

David Guetta – O impacto foi muito forte para mim e para toda nossa comunidade. Ele era meu amigo. E na parte profissional, eu me identifico com a pressão que ele sofria, esse sentimento de que você tem sempre que entregar algo, satisfazer outras pessoas. E não tem tempo para você mesmo.

‘Isso me incentivou a mudar de vida. Aprender a dizer não, a usar boas chances na carreira, mas também dar tempo para a família, para amigos e para mim mesmo. Às vezes eu quero fazer música para me divertir, como era antes, sem ter que ficar pensando sempre em fazer um hit’.

*G1

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